CAPITALISMO

 

CAPITALISMO


O que é?

O capitalismo é um modo de produção baseado na propriedade privada dos meios de produção, no trabalho assalariado, na produção de mercadorias para o mercado e na busca constante pelo lucro e pela acumulação de capital.

Segundo Karl Marx, o capitalismo consolidou-se entre os séculos XV e XVIII, com o desenvolvimento do comércio europeu, das Grandes Navegações, da Revolução Comercial, da Revolução Industrial e da ascensão da burguesia como classe dominante.

Nesse sistema, a maior parte da população não possui os meios de produção e, por isso, vende sua força de trabalho em troca de um salário.

Meios de produção

São todos os recursos utilizados para produzir bens e serviços.

Exemplos:

  • terras;
  • fábricas;
  • máquinas;
  • ferramentas;
  • bancos;
  • empresas;
  • tecnologias;
  • matérias-primas.

Quem controla esses meios controla a produção da riqueza.

 

Burguesia

A burguesia é a classe social proprietária dos meios de produção.

Ela controla empresas, fábricas, bancos, terras, indústrias e grandes investimentos financeiros.

Segundo Marx, sua riqueza cresce porque compra a força de trabalho do proletariado por um salário inferior ao valor produzido durante a jornada de trabalho.

A burguesia tornou-se a classe dominante após a crise do feudalismo e as Revoluções Burguesas, especialmente a Revolução Francesa (1789), substituindo a nobreza como principal grupo político e econômico.

 

Proletariado

O proletariado é a classe trabalhadora.

Não possui os meios de produção e depende da venda da sua força de trabalho para sobreviver.

Seu salário representa apenas parte da riqueza que produz.

Segundo Marx, é justamente dessa diferença entre o valor produzido e o salário recebido que nasce a mais-valia.

 

Princípios do capitalismo

 

Propriedade privada

Os meios de produção pertencem a indivíduos ou empresas privadas.

Trabalho assalariado

O trabalhador vende sua força de trabalho em troca de um salário.

Livre mercado

O livre mercado é um princípio defendido pelo liberalismo econômico.

Significa que a economia deve funcionar com mínima intervenção do Estado, permitindo que empresas e consumidores negociem livremente.

Nesse modelo:

  • empresas competem entre si;
  • consumidores escolhem o que comprar;
  • preços são definidos pelo mercado;
  • oferta e procura determinam a produção.

 

Lei da oferta e da procura

Os preços variam conforme a relação entre oferta e demanda.

  • muita oferta e pouca procura → preço tende a cair;
  • pouca oferta e muita procura → preço tende a subir.

 

A "mão invisível"

A expressão "mão invisível" foi criada por Adam Smith, considerado o pai do liberalismo econômico.

Segundo Smith, quando cada indivíduo busca seu próprio interesse econômico, acaba contribuindo involuntariamente para o bem-estar da sociedade.

Assim, sem necessidade de planejamento central, o mercado tende a organizar:

  • produção;
  • preços;
  • investimentos;
  • distribuição de recursos.

Marx critica essa ideia, argumentando que o mercado não elimina desigualdades nem impede crises econômicas.

 

Autorregulação do mercado

Os liberais defendem que o próprio mercado possui mecanismos capazes de corrigir desequilíbrios econômicos.

Por exemplo:

  • aumento de preços estimula maior produção;
  • excesso de produção reduz preços;
  • concorrência elimina empresas menos eficientes.

Os marxistas afirmam que essa autorregulação não impede crises de superprodução, desemprego e concentração de riqueza.

 

Acumulação de capital

No capitalismo, o lucro obtido é reinvestido para ampliar a produção.

Esse processo chama-se acumulação de capital.

Quanto maior o capital acumulado, maior tende a ser o crescimento das empresas.

Segundo Marx, isso leva à concentração de riqueza nas mãos de poucos grupos econômicos.

 

Concorrência

As empresas disputam consumidores.

Essa competição incentiva:

  • inovação tecnológica;
  • aumento da produtividade;
  • redução dos custos;
  • expansão dos mercados.

Ao mesmo tempo, segundo Marx, favorece a concentração de empresas, formando monopólios e oligopólios.

 

Mercadoria

Mercadoria é todo bem ou serviço produzido para ser vendido.

Toda mercadoria possui dois valores.

 

Valor de uso

É a utilidade da mercadoria.

Exemplo:

Um pão serve para alimentar.

 

Valor de troca

É o valor que a mercadoria possui no mercado.

Pode variar conforme:

  • oferta;
  • procura;
  • quantidade de trabalho empregada;
  • escassez.

 

Força de trabalho

Para Marx, aquilo que o trabalhador vende não é seu trabalho, mas sua força de trabalho, ou seja, sua capacidade física e intelectual de produzir.

Essa força torna-se uma mercadoria.

 

Mais-valia

É o conceito central da crítica marxista ao capitalismo.

Representa o valor produzido pelo trabalhador que não retorna para ele em forma de salário.

Segundo Marx, é a principal fonte do lucro capitalista.

Exemplo

Em oito horas de trabalho:

  • nas quatro primeiras horas o trabalhador produz o equivalente ao seu salário;
  • nas quatro horas seguintes continua produzindo riqueza para o capitalista.

Esse tempo adicional corresponde à mais-valia.

Mais-valia absoluta

Obtida pelo aumento da jornada de trabalho.

Exemplo:

8 horas → 10 horas → 12 horas.

Mais-valia relativa

Obtida pelo aumento da produtividade.

A jornada permanece igual, mas novas máquinas e tecnologias permitem produzir muito mais.

 

Alienação

Alienação é a perda do controle do trabalhador sobre seu próprio trabalho.

Ele:

  • não decide o que produzir;
  • não controla como produzir;
  • não é dono daquilo que produz;
  • trabalha apenas para sobreviver.

O trabalho deixa de ser uma atividade criativa e torna-se apenas um meio de obter salário.

 

Fetichismo da mercadoria

Segundo Marx, no capitalismo as relações entre pessoas aparecem como relações entre objetos.

As mercadorias parecem possuir valor por si mesmas.

Esconde-se o trabalho humano necessário para produzi-las.

Exemplo:

Ao comprar um celular, normalmente pensamos apenas na marca e no preço, esquecendo os trabalhadores, as fábricas, a extração dos minerais e toda a cadeia produtiva envolvida.

Crises do capitalismo

Segundo Marx, o capitalismo produz crises periódicas porque existe uma contradição entre produzir cada vez mais e a capacidade limitada da população de consumir.

Entre as principais crises estão:

  • superprodução;
  • desemprego;
  • falências;
  • concentração de riqueza;
  • inflação em determinados contextos;
  • crises financeiras.

 

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