Revolução Industrial
Do artesanato à maquinofatura
Antes da Revolução Industrial, as principais formas de produção nas cidades europeias eram o artesanato e a manufatura.
No artesanato, o trabalho era realizado quase totalmente por uma única pessoa. Nesse modelo, o artesão dominava todas as etapas da produção; por exemplo, o sapateiro era responsável por desenhar o modelo, cortar, costurar e montar o calçado. Além disso, ele possuía tanto a matéria-prima quanto as ferramentas, e normalmente trabalhava em sua própria casa.
A partir do século XV, com as Grandes Navegações e a expansão dos mercados na África, Ásia e América, houve um crescimento significativo na demanda por produtos europeus. Nesse contexto, a burguesia passou a investir capital, fornecendo matéria-prima e pagando pelo trabalho realizado. Esse sistema produtivo ficou conhecido como manufatura. Nele, as ferramentas pertenciam ao capitalista, e o trabalhador realizava apenas uma parte do processo produtivo.
Posteriormente, com a criação das máquinas industriais, ocorreram profundas transformações no ritmo de vida e nas relações de trabalho. As máquinas passaram a substituir diversas atividades antes feitas manualmente. Assim, muitos trabalhadores deixaram de produzir em suas casas ou oficinas e passaram a atuar em fábricas, recebendo salários. Esse novo modelo de produção ficou conhecido como maquinofatura.
O pioneirismo inglês
Foi na Inglaterra que surgiram as primeiras máquinas movidas a vapor e também as primeiras fábricas. Diversos fatores contribuíram para que o país liderasse a Revolução Industrial, entre eles:
- os capitais acumulados por meio da pirataria na costa asiática, da atuação da América e do comércio (incluindo o tráfico de pessoas escravizadas) com as colônias e outros territórios;
- a grande disponibilidade de mão de obra, resultado das migrações de camponeses para as cidades, provocadas pelos cercamentos, que os expulsaram do campo;
- a presença de abundantes recursos naturais, como carvão mineral e minério de ferro, fundamentais para a indústria, além de um mercado consumidor interno significativo, favorecido pelo fim de antigos entraves feudais;
- a existência de uma burguesia empreendedora, com capital para investir e disciplina voltada ao trabalho e ao lucro;
- a Revolução Gloriosa (1688), que consolidou a estabilidade política e criou condições favoráveis ao desenvolvimento do capitalismo na Inglaterra.
As máquinas
Na Inglaterra, a indústria têxtil foi a primeira a utilizar máquinas, especialmente na produção de tecidos de algodão. Os empresários ingleses passaram a fabricar esses produtos em grande quantidade, atendendo a mercados em diversas partes do mundo. Além disso, o algodão vindo do Oriente, das Antilhas e do Brasil — produzido por meio do trabalho escravizado — era relativamente barato. Com isso, os produtos britânicos puderam ser vendidos a preços mais baixos, e os capitalistas passaram a investir em inovações tecnológicas para aumentar ainda mais a produtividade.
No início, as máquinas eram feitas principalmente de madeira. Com o tempo, o uso do vapor, do carvão e de materiais mais resistentes levou ao avanço da metalurgia. Gradualmente, as máquinas passaram a ser construídas com ferro, e a energia do vapor foi aplicada em diferentes áreas da indústria. A criação do barco a vapor e da locomotiva a vapor representou um grande avanço nos transportes ao longo do século XIX.
Inventos aplicados à indústria
1764 - A spinning‑jenny foi inventada pelo carpinteiro James Hargreaves. Era uma roda de fiar que funcionava à mão e produzia oito fios ao mesmo tempo, fazendo o trabalho de dezenas de pessoas. A jenny podia ser instalada em casa: era pequena e não precisava de força motriz especial.
1765. O uso do vapor como fonte de energia tornava possível substituir a energia muscular, a do vento e a da água por energia mecânica. Daí sua importância.
movida a água, mais rápida que a jenny, e produzia fios grossos e resistentes, necessários à produção de tecidos de algodão puro. Pelo fato de a water‑frame utilizar água como força motriz, ela não podia ser instalada nas casas; necessitava de espaço, como uma fábrica ou um moinho. Por isso, costuma-se dizer que ela contribuiu para o surgimento do sistema fabril.
"A Chegada de um Trem na Estação" (título
original: L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat) é um marco do
cinema, exibido pelos irmãos Lumière em 28 de dezembro de 1895, na França. Este
curta-metragem de 50 segundos é famoso pela lenda de que o público fugiu com
medo de ser atropelado pela locomotiva.
Detalhes Principais do Filme:
- Criadores: Auguste
e Louis Lumière.
- Data
de Estreia: 28 de dezembro de 1895, no Salon Indien du Grand
Café, em Paris.
- Conteúdo: Um
registro realista, em um único plano (plano geral), de um trem a vapor
chegando à estação de La Ciotat, na França.
- Impacto: A
perspectiva diagonal da câmera, mostrando o trem vindo em direção à tela,
causou espanto e encantamento pela novidade das imagens em movimento.